quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Se a cor do quarto é branca, onde estão as paredes fúngicas e úmidas?

Seria uma dicotomia, um paradoxo, um absurdo pensar em cor branca com umidade e fungos. "Definitivamente, não." - pensei meio encabulado. Era o momento do espaço. Onde? A grande pergunta que me perturbou tanto. O lugar é necessário para colocá-los, ali tão longínquos um do outro, mas deveras, tão próximos a partir de então. Um apartamento, diria. Um cubo dentre tantos. Um pixel que vai se juntando ao outro, até fechar a tela. Um quadro. Mas os três morariam ali dentro daquele apartamento? Podiam, sim. Mas por uns instantes. Eles nunca pertenceram àquele lugar. Eles são intrusos, todos. Afinal, eles foram escolhidos, nascidos do vácuo instante do Bóson de Higgs. Eles materializaram-se célula, por célula como um desfoque ao longe e que, aos poucos, pulsamente vêm ao encontro do grande público. Notoriamente eles apareceram naquele apartamento por umas horas apenas, enquanto o sol nascia para desvendá-los, desmistificá-los, dilacerá-los e, enfim, sugar suas almas com suas histórias com suas vidas. Dessa forma, eles  estarão espalhados em almas - desintegração em pensamentos, viagens ao infinito tempo. E com o tempo tornar-se-ão eternos. A imagem solidificada pela luz trazendo os universos sólidos de mundos dicotômicos, distônicos, transcedentes. Um apartamento, uma sala, uma cozinha, um quarto. Amor, ódio, ciúme, sangue, vida. Assim esse apartamento falaria. Um personagem branco com suas nódoas. Com seu pulso e vida. E eles três ali confinados com suas verdades, com suas vidas, com o destino, se é que ele existe.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Cor do Quarto



Para construir a história, foi necessário ir longe, viajar no espaço. É como se fosse pegar um ultraleve e sobrevoar Recife. Andar com um binóculos, uma lupa e vasculhar as vielas, as ruelas de tantos pontos pequenos vistos lá de cima. Estava á procura dos meus amigos (assim os chamo - os personagens - porque há uma relação afetiva e (diria) cúmplice entre criador e criaturas) e ainda não os via. Eles estavam perdidos? Ou eles estavam também a minha procura. De repente o sol veio à face, uma faísca, um fogo, um estrondo. Pronto. Desci a terra e lá fomos a uma praça, ou a um boteco, ou até mesmo marcamos um encontro na beira da praia. Mas nos encontramos. Vieram tantos. Todos queriam. “Peraí” – eu adverti em voz alta. Eles, estáticos, fitaram os olhos quase clamando. Tinha que selecioná-los. Nem todos tinham a vez da bola. Pensei em escolher meia dúzia, mas não cabiam num quarto. Daí olhei bem direitinho. Vi uma morena, e vi dois caras. O eterno triângulo amoroso? Poderia ser, mas queria que fosse singular. Eles dentro daquele quarto cheio de fungos, frio e cinzento. Uma noite branca num quarto branco. Uma história negra num quarto branco. Poderia ser outra cor? Não porque as paredes são brancas, o lençol é branco, o amor também pode ser branco e eu ia colocar a história num papel em branco. E no fim, o final ia ficar em branco, porque nem todos vão saber o que realmente se passou naquelas quatro paredes fúngicas e úmidas.


Explicando a fecundação do meu filme





Primeiramente percebi que estava faltando alguma coisa para fazermos juntos – éramos um grupo de alunos estudando cinema e ainda não tínhamos uma ideia para filmar alguma coisa. Sinceramente não sei de onde vem a inspiração, mas vou logo avisando: não é fácil montar uma história num roteiro. Poderia contar uma bela história de amor, uma coisa trágica, uma comédia, falar de monstros e princesas, mas não tinha ainda o mote para começar a montar as cenas. Voltando do curso, palavreando com o meu amigo Pedro de Paula, soltei o verbo: queria falar de uma história num ambiente fechado. Só isso, Que fosse poético, que fosse plasticamente belo como um quadro. Naquele exato momento, veio em minha mente uma fotografia, uma luz e paredes sujas, quase umedecidas por fungos, quase verdes. Foi assim que nasceu O QUARTO BRANCO.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mais um quarto sendo arrumado

Pois é, quem diria. Mais um curta metragem sendo feito. Com a garra e o coração, um filme está nascendo. Isso é maravilhoso. Mas não é fácil. Com a "brodagem", que já é praxe pernambucana, esta história de três pessoas, que vão se encontrar num quarto da zona norte do Recife, em plena madrugada, está sendo construída com o pulsar de mais de uma dezena de corações. O quarto que é branco pode se tornar vermelho ou da cor que o espectador melhor apreciar. Mas que seja da cor que caiba o amor (de alguma forma).