Para construir a história, foi necessário ir longe, viajar
no espaço. É como se fosse pegar um ultraleve e sobrevoar Recife. Andar com um binóculos,
uma lupa e vasculhar as vielas, as ruelas de tantos pontos pequenos vistos lá
de cima. Estava á procura dos meus amigos (assim os chamo - os personagens -
porque há uma relação afetiva e (diria) cúmplice entre criador e criaturas) e
ainda não os via. Eles estavam perdidos? Ou eles estavam também a minha
procura. De repente o sol veio à face, uma faísca, um fogo, um estrondo.
Pronto. Desci a terra e lá fomos a uma praça, ou a um boteco, ou até mesmo
marcamos um encontro na beira da praia. Mas nos encontramos. Vieram tantos.
Todos queriam. “Peraí” – eu adverti em voz alta. Eles, estáticos, fitaram os
olhos quase clamando. Tinha que selecioná-los. Nem todos tinham a vez da bola.
Pensei em escolher meia dúzia, mas não cabiam num quarto. Daí olhei bem direitinho.
Vi uma morena, e vi dois caras. O eterno triângulo amoroso? Poderia ser, mas
queria que fosse singular. Eles dentro daquele quarto cheio de fungos, frio e
cinzento. Uma noite branca num quarto branco. Uma história negra num quarto
branco. Poderia ser outra cor? Não porque as paredes são brancas, o lençol é
branco, o amor também pode ser branco e eu ia colocar a história num papel em
branco. E no fim, o final ia ficar em branco, porque nem todos vão saber o que
realmente se passou naquelas quatro paredes fúngicas e úmidas.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Explicando a fecundação do meu filme
Primeiramente percebi que estava faltando alguma coisa para
fazermos juntos – éramos um grupo de alunos estudando cinema e ainda não
tínhamos uma ideia para filmar alguma coisa. Sinceramente não sei de onde vem a
inspiração, mas vou logo avisando: não é fácil montar uma história num roteiro.
Poderia contar uma bela história de amor, uma coisa trágica, uma comédia, falar
de monstros e princesas, mas não tinha ainda o mote para começar a montar as
cenas. Voltando do curso, palavreando com o meu amigo Pedro de Paula, soltei o
verbo: queria falar de uma história num ambiente fechado. Só isso, Que fosse
poético, que fosse plasticamente belo como um quadro. Naquele exato momento,
veio em minha mente uma fotografia, uma luz e paredes sujas, quase umedecidas
por fungos, quase verdes. Foi assim que nasceu O QUARTO BRANCO.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Mais um quarto sendo arrumado
Pois é, quem diria. Mais um curta metragem sendo feito. Com a garra e o coração, um filme está nascendo. Isso é maravilhoso. Mas não é fácil. Com a "brodagem", que já é praxe pernambucana, esta história de três pessoas, que vão se encontrar num quarto da zona norte do Recife, em plena madrugada, está sendo construída com o pulsar de mais de uma dezena de corações. O quarto que é branco pode se tornar vermelho ou da cor que o espectador melhor apreciar. Mas que seja da cor que caiba o amor (de alguma forma).
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